Histórico

Nos últimos anos, durante o exercício profissional de Serviço Social, desenvolvemos atividades voluntárias levando informações, orientações e esclarecimentos sobre a legislação da infância e adolescência (vigente no país), através de ações de prevenção às múltiplas violências perpetradas contra crianças e adolescentes às comunidades periféricas do Município Campo Grande/MS, tendo como parceria a Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente.
 
Desenvolvemos um Plano de Ação, como requisito do Curso de Extensão oferecido pelo MEC/UFMS-Escola de Conselhos: “A Escola como espaço de identificação de múltiplas violências contra crianças e adolescentes” em uma Escola da Rede Municipal, tendo as ações, envolvido crianças, adolescentes e suas famílias, e as mesmas atendidas em jornada complementar, do Projeto Ciranda e Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humano (hoje, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos), na unidade da S.A.S./CRAS – Centro de Referência de Assistência Social Dr. Fauze Duailibi Amizo – Jardim Canguru, posteriormente, no CRAS Alair Barbosa de Rezende – Moreninha II, de 2004 a 2009. 
 
Em 2010, assumimos a Coordenação do Programa Vale Renda/SETAS/SUBS/Governo do Estado de Mato Grosso do Sul na Região Urbana Anhanduizinho I, atendendo 2.400 famílias (60 Grupos Socioeducativos), constatando um cenário de inúmeras questões sociais a serem estudadas e analisadas, no entanto, a mais brutal e impactante forma de Violação de Direitos Humanos, foi o “abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes”. 
As pesquisas revelam que as famílias brasileiras vivem nas mais diversas situações socioeconômicas que induzem às violações de direitos dos seus membros, especialmente das crianças, adolescentes, mulheres, idosos e pessoas com deficiência, além das consequências, como: pessoas em situação de rua, migrantes, idosos abandonados e crianças em Serviços de Acolhimentos. 
 
Percebe-se que as situações agravam-se nas parcelas da população com maiores índices de desemprego e de baixa renda dos adultos.
De acordo com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, aprovada pela Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, do CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social, a Proteção Social Especial de Média Complexidade é coordenada e articulada nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social – CREAS, integrantes do SUAS – Sistema Único de Assistência Social, os quais são unidades públicas estatais responsáveis pela oferta de orientação e apoio especializados e continuados a indivíduos e famílias com seus direitos violados, direcionando o foco das ações para as famílias na perspectiva de potencializar e fortalecer sua função protetiva.
 
Neste sentido, o CREAS tem por finalidade prestar serviços de apoio e acompanhamento às famílias com um ou mais de seus membros em situação de ameaça ou violação de direitos, compreendendo atenções e orientações direcionadas para promoção de direitos, a prevenção e o fortalecimento de vínculos familiares diante do conjunto de condições que as fragilizam e/ou as submetem a situações de risco pessoal e/ou social. 
Sendo assim, entre os serviços ofertados pelo CREAS, os quais requerem maior estruturação técnico-operacional, atenção especializada e acompanhamento sistemático, é oferecido o “Serviço de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes”. 
Enfatizamos ainda que no decorrer do ano de 2011, desenvolvemos Oficinas Socioeducativas nos CRAS/SAS, Colégios, Escolas, Empresas, Instituições de Ensino Superior e Organizações Não-governamentais, sensibilizando e envolvendo comunidades e acadêmicos no Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes. 
 
Portanto, atuando na Proteção Social Especial - CREAS Sul e como iniciante do Curso de Mestrado, como agentes motivadores, elaboramos o Projeto de Pesquisa: “O Movimento Mãe Águia contribuindo no Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes em Campo Grande/Mato Grosso do Sul – Movimento Mãe Águia”, para obtenção do título de Mestre em Ciências da Educação, com o Objetivo Geral: * Desenvolver estratégias de mobilização social de prevenção à violência sexual (abuso e exploração), sensibilizando os genitores e/ou responsáveis para o senso de proteção e cuidado às crianças e adolescentes, relacionando o conteúdo com a “História da Águia”. 
 
A pesquisa e as ações foram executadas nos Pontos Administrativos onde acontecem as reuniões do Programa Vale Renda, em todas as Regiões do Município de Campo Grande/MS, autorizado pela Secretária de Estado de Trabalho e Assistência Social, Dra. Tania Mara Garib e pela Superintendente da SUBS - Superintendência de Benefícios Sociais/SETAS, Marina Bragança, contribuindo no Enfrentamento à Violência Sexual Cometida Contra Crianças e Adolescentes.
 
A execução dos trabalhos junto às famílias beneficiárias deu-se através de 04 (quatro) etapas: 1) Pesquisa; 2) Palestra; 3) Oficina; 4) Multiplicação das informações pelas participantes do subgrupo ao grupo integral.
A pesquisa foi aplicada de acordo com questões elaboradas abordando fatores individuais e psicológicos, frutos da história de cada um dos membros da família que interagem com experiências de vida e grande variedade de situações em que as unidades familiares se estabelecem, agem como fatores causais e desencadeantes na formação do padrão de relacionamento comum final de abuso e exploração sexual da criança na família. A razão individual para os pais se tornarem pessoas que abusam ou para mães serem incapazes de proteger, são muito variadas. 
A linha central da pesquisa foi direcionada justamente para aprofundar os fatores determinantes na conivência das famílias frente ao abuso e a exploração sexual contra crianças e adolescentes no âmbito familiar. Suas causas e consequências.
 
As oficinas socioeducativas foram executadas nas dependências do CREAS Sul/SAS, mediante convite aos/às beneficiários/as ao final das palestras nas Regiões: Central, Prosa, Imbirussu e Bandeira. 
As famílias beneficiárias das Regiões: Lagoa, Segredo, Anhanduizinho I e Anhanduizinho II, participaram das oficinas socioeducativas no próprio Ponto Administrativo onde são realizadas as reuniões mensais.
Foi possível perceber que as Famílias se envolveram em todo o processo, em todas as etapas, durante o desenvolvimento do projeto, no decorrer do ano de 2012, tais informações podem ser observadas ainda, com o resultado das Oficinas, sob Supervisão de Estágio, com a pesquisa realizada pela estagiária do 8º Semestre do Curso de Serviço Social, em seu Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado: “A interface do Serviço Social nos Movimentos Sociais – Movimento Mãe Águia em Campo Grande/MS”, as famílias responderam positivamente às ações desenvolvidas, bem como apresentaram-se favoráveis e incentivaram a continuidade do Movimento Mãe Águia, e não o término como previsto em planejamento anual. A pesquisa será publicada no espaço “Pesquisas” deste site.
 
Tornou-se evidente que trabalhamos o enfoque socioeducativo da temática, proporcionando a participação e o desenvolvimento pessoal que motivou à conscientização dos mesmos a necessidade de denunciar. O monopólio do capital fortalece as desigualdades e gera campo de trabalho fértil ao profissional do Serviço Social, que com o conjunto teórico e prático tem o papel de ensinar e desenvolver a visão crítica da sociedade como se apresentam, suas condições, de forma a tornarem-se formadores de opinião, estimulando o reconhecimento do indivíduo como cidadão de direitos e deveres. 
 
A visão em relação às desigualdades sociais por parte dos indivíduos vulnerabilizados pode provocar a mobilização dos mesmos em torno de uma solução muitas vezes paliativa por falta de conhecimento e organização, desta vontade de mudar surge os Movimentos Sociais. Todavia, para que tal expressão se torne um movimento efetivo com resultados positivos, os profissionais apresentam-se como estrategistas, com o seu saber teórico e vivências têm a capacidade de organizar, controlar e gerar resultados mais eficazes e mudanças significativas em tal situação. 
A tarefa primordial de combater o Abuso e a Exploração Sexual de crianças e adolescentes é uma responsabilidade do Estado e da Família. A sociedade civil desempenha um papel essencial na prevenção e proteção das crianças. Por esta razão, é imperativa a construção de uma sólida integração entre os governos, as organizações internacionais e todos os setores sociais para o Enfrentamento da Violência, inclusive com o fortalecimento dos Movimentos Sociais. 
Podemos afirmar cientificamente que o Movimento Mãe Águia abarcou milhares de famílias, as quais participaram efetivamente das ações, como: palestras, oficinas, pesquisa, mobilização no Dia Nacional, Semana Estadual e Semana Municipal de Enfrentamento à Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A tabulação dos dados gráficos será publicada posteriormente no espaço “Pesquisas” deste site.
 
Os resultados das ações desenvolvidas pelo Movimento Mãe Águia, na ocasião da pesquisa, durante o ano de 2.012, apontam que as famílias (os/as protagonistas) foram muito receptivas e acessíveis aos trabalhos realizados nos Grupos Socioeducativos do Programa Vale Renda, impactando as comunidades com depoimentos positivos em relação à continuidade das atividades, inclusive com entrevista em TV, o que instigou-nos a (re) adequação, a (re) elaboração do Projeto, desta forma, fortalecendo a luta contra a Violência Sexual de Crianças e Adolescentes no Município de Campo Grande, expandindo gradativamente, ao Estado de Mato Grosso do Sul, através do COMCEX/MS, no qual, ocupamos a Coordenação do Colegiado.
 
Durante o desenvolvimento do Projeto de Pesquisa, percebeu-se a necessidade de intensificar e diversificar as estratégicas e ações de sensibilização e atendimento às famílias em relação à Violação de Direitos de Crianças e Adolescentes, desta forma, a recomendação no Trabalho de Conclusão de Curso do Mestrado em Ciências da Educação, foi a constituição da “Associação Movimento Mãe Águia de Combate à Violência Sexual Cometida Contra Crianças e Adolescentes”, a qual contribuirá para a formulação de Políticas Públicas, incentivando outras iniciativas para a melhora da qualidade de vida das famílias, promovendo o exercício da Cidadania e o fortalecimento dos Movimentos Sociais e Políticas Sociais pertinentes à área da Infância e Juventude em todo o Estado de Mato Grosso do Sul. 
 
A Presidente.
Daniela de Cássia Duarte
 
Constituição da Diretoria em 20/12/2013
 
  • Presidente - Assistente Social Mestranda
    Daniela de Cássia Duarte
  • Vice-Presidente - Pedagogo
    Irajá Luiz da Silva
  • 1º Diretor Secretário - Psicólogo
    Eduardo Godoy da Rocha
  • 2ª Diretora Secretária - Assistente Social
    Waleska Azevedo Chaves
  • 1ª Diretora Tesoureira - Advogada
    Cassandra Szuberski
  • 2ª Diretora Tesoureira - Psicóloga
    Meliane Higa Cimatti Klimpel do Nascimento
  • Conselho Fiscal:
    Patricia Souza dos Santos - Assistente Social
    Gislaine Recaldes de Abreu - Enfermeira
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